O colar delicado na vitrine pela segunda vez.
O tempo não havia estragado nenhum detalhe daquela preciosidade? Poderia ser
ele mesmo? Entro na loja e conto toda a história de novo. O vendedor simpático
escuta e entra por uma porta que revela o canto de uma mesa cheia de papel
antigo. Ele volta e me entrega um papel com a assinatura de quem havia
penhorado o colar. Meus olhos se enchem de lágrimas e respiro aliviada por
reconhecer o nome e rubrica no papel. Ele estaria bastante satisfeito, feliz
talvez. Papai me disse que nunca se arrependeu do que fez, mas que sentia falta
de ver mamãe usando o colar. Ele dizia: São duas delicadezas que combinam.


